2 de maio de 2008

A Praia

Aquela imagem tornou-se um pensamento esquecido, um esquecimento. Não estava feliz agora? Tinha feito todos esses meses o que mais amava desde sempre, desde aquela vida de loucura, desde o dia na praia.
Havia um vento pesado e quente naquela hora, mas nada parecia atingir o lugar, o pequeno cais acima do espelho d'água, a areia suja de pedregulhos, a vibração de pequenas ondas, não era mar e sim um lago, uma represa. E nada se via além de mato e montanha e água e nada. Mas haviam nuvens, e vento e calor, aprisionou ali alguns sentimentos novos; a infância já estava longe demais para revolver as entranhas, sendo assim, a imagem dela e de outras atirando pedras lisas na superfície para ver quem conseguia o maior número de saltos veio, mas retirou-se rapidamente. Não havia espaço no momento, o foco assimilou apenas luz - regras de luminosidade na fotografia, flashes, a exposição, regras, regras, regras - apenas a luz sobre a pequena praia entorno da bacia fria, pois todo o Sol se fora nos minutos dispersos; sentiu-se perdida, com medo, da onde tudo isso vinha? Por que agora? Praguejou com vontade contra alguém, ou algo, superior ou igual, tentando afastar as nuvens, a fúria, o erro.

O anel, o símbolo, o casamento, jazia no fundo frio do lago e na fonseca repleta de mágoas da sua criatividade, do seu sorriso. Naquela noite, apesar do frio, não vestira calças, ocupou-se em alargar com elásticos todas elas e sentiu o primeiro comichão de uma vida que não era sua.

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