12 de fevereiro de 2011

Monólogo do homem que era um enigma

Esta noite usei como desculpa uma xícara de café. Estreita, mas funda, como os olhos de um amante embriagado, nela não encontrei qualquer resposta, talvez uma única pergunta: se não gostas de mim, por que me provas? E digo que não sei a razão deste pequeno hábito. Pode ser o calor, o conforto e até mesmo o segredo que cada xícara possui que me faz querê-las. Minto, sei que lido com elas como faço com afetos. Esqueço que são feitos de paciência e dedicação. Ignoro o sentimento daquilo que vislumbro como possível autoprogresso diante do obstáculo: minha mente difusa.

Sei que tudo poderia ser mais simples, mas para mim não é. Considero muitas coisas - e pessoas - vazias, tediosas ou desimportantes, e na minha ansiedade de apenas viver sem escolhas, sem perder ou ganhar, sinto que me condeno ao esteriótipo da mediocridade; xícara meio cheia, xícara meio vazia.

Dizem que vivo de fantasias, mas sei bem que vivo é de uma realidade muito óbvia, tão ordinária que me faz parecer livre daquilo que condeno, este meu medo; mesmice. É o que me conforta na xícara de café, ela me permite querer ir a fundo nas coisas minhas, mas apenas querer e não ir de fato.

Certa vez alguém partiu os grilhões dessa existência. Mas... aqui é o meu lugar, e assim eu não fugi, eu não fiz nada. E o nada abateu-se sobre mim de uma maneira pior do que tudo que poderia ter acontecido.

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