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11 de outubro de 2013

O Menino

Escuridão
que apagaram as luzes
onde não brilha o Farol
cego e seco sobre o mar

Escuridão
que o Destino cobriu
do caminho fez atalho
do sentimento, mortalha

Quem conduz o menino?
e entrega a pena livre
sem prometer liberdade
segue o menino sem livro

Quem conduz o menino?
dourada estrela
ou grande anel
vê no menino o infinito

Evapora a noite numa canção
fecha-se o segredo com giz
abre o palco em azul
abraços com cicatriz

7 de setembro de 2013

dois planetas

sagrado universo construído
em teu desenho uma órbita de sal
teu senhor, vazio de orgulho
carrega uma máscara de vidro

e sob a dúvida de um eclipse
teu Arquiteto não vê o cão que morde o vigia
nem a mão que segura a guia
o que é verdade? o que é fetiche?

mas toda penumbra revela uma Vênus
todo ocaso, uma esperança
uma única estrela: uma única dança

mas se fazes deste círculo um espelho
e no céu encarna um Marte vermelho
ensinas a dois planetas, silêncio e segredo
despertas o ego, mata o desejo

2 de setembro de 2013

(sem título)

Adiante um caminho torto,
que de forma torta leva ao centro;
círculo perfeito, circumponto.

este imenso e engraçado desenho é dica para certos destinos,
cuja saída alcança-se pela paz de espírito
e por um coração-montanha que repouse em vivo silêncio (sobre todas as grandes salas da alma.)
e se não permites ter os olhos lavados, 
se dos estribos faz um cilício, perca-se;

ainda que o tempo deixe fosca a janela,
amareladas a culpa e a regra, desprenda-se.