Eu o vi na sacada, castanho-mistério. Jovem, ar distraído, cem pensamentos por minuto. Quis resgatá-lo de seu próprio futuro. Tentei encarná-lo por alguns momentos, vendo a mim mesmo distraído numa janela escura. E, em dúvida sobre quais seriam os meus novos desejos, tentei nada, mas sê-lo. A janela fechou, me deixando apenas a visão das costelas formadas pela luz através das persianas. Permaneci. Quis compreender sua liberdade e reverenciá-lo pela fantasia que eu vivenciava, como se daquela varanda ele soubesse que a presença de alguém tinha sido necessária para encenar a noite, simbolizá-la, significá-la. E mesmo após ter ido me deitar, busquei aquela memória através do vidro e qualquer sentido nas coisas que me vieram à cabeça só bem depois: ele ali intenso, feito e exposto, ainda assim completamente irrevelado e distante, podendo ser o que eu quisesse; argila.
12 de dezembro de 2013
11 de outubro de 2013
O Menino
Escuridão
que apagaram as luzes
onde não brilha o Farol
cego e seco sobre o mar
Escuridão
que o Destino cobriu
do caminho fez atalho
do sentimento, mortalha
Quem conduz o menino?
e entrega a pena livre
sem prometer liberdade
segue o menino sem livro
Quem conduz o menino?
dourada estrela
ou grande anel
vê no menino o infinito
Evapora a noite numa canção
fecha-se o segredo com giz
abre o palco em azul
abraços com cicatriz
que apagaram as luzes
onde não brilha o Farol
cego e seco sobre o mar
Escuridão
que o Destino cobriu
do caminho fez atalho
do sentimento, mortalha
Quem conduz o menino?
e entrega a pena livre
sem prometer liberdade
segue o menino sem livro
Quem conduz o menino?
dourada estrela
ou grande anel
vê no menino o infinito
Evapora a noite numa canção
fecha-se o segredo com giz
abre o palco em azul
abraços com cicatriz
7 de setembro de 2013
dois planetas
sagrado universo construído
em teu desenho uma órbita de sal
teu senhor, vazio de orgulho
carrega uma máscara de vidro
e sob a dúvida de um eclipse
teu Arquiteto não vê o cão que morde o vigia
nem a mão que segura a guia
o que é verdade? o que é fetiche?
mas toda penumbra revela uma Vênus
todo ocaso, uma esperança
uma única estrela: uma única dança
mas se fazes deste círculo um espelho
e no céu encarna um Marte vermelho
ensinas a dois planetas, silêncio e segredo
despertas o ego, mata o desejo
em teu desenho uma órbita de sal
teu senhor, vazio de orgulho
carrega uma máscara de vidro
e sob a dúvida de um eclipse
teu Arquiteto não vê o cão que morde o vigia
nem a mão que segura a guia
o que é verdade? o que é fetiche?
mas toda penumbra revela uma Vênus
todo ocaso, uma esperança
uma única estrela: uma única dança
mas se fazes deste círculo um espelho
e no céu encarna um Marte vermelho
ensinas a dois planetas, silêncio e segredo
despertas o ego, mata o desejo
Assinar:
Postagens (Atom)