13 de julho de 2012

5:55

tantas vezes amáveis um com o outro; insones em doces carinhos, um a um em cada canto, um abraço, reabraço, envolvidos no silêncio daquilo que desejavam dizer, mas que nem as paredes ouviam; e por mais que fosse inverno, o quarto tinha o aroma quente e suave do afeto.

cedo vieram a manhã e a inquietude de Estela, que não era mais inquietude, mas resignação, vitória consciente, mas que os instintos, as vontades, botavam a perder.

- essa sua vida, você está gostando dela não é mesmo? - quase bêbada de sono, cuidadosa, propositalmente infantil.
- menos do que eu gostaria. - riu.

revirou-se, olhou o teto; Olavo fechou o cinto fazendo soar as argolas da fivela, marcando sua independência em relação à Estela, uma acorrentada liberdade de obrigações cujos benefícios lhe traziam novas experiências paralelas;

de repente os motivos de Olavo ficaram óbvios, Estela os reconhecia, douradas motivações contrárias ao elo de pertencimento alheio: o vigor da juventude à luz de um futuro incerto, o sabor das conquistas, movidas pelas eventuais recusas, a prática da valorização do ego; toda a esteira de argumentos masculinos, abotoados um por um enquanto Olavo fechava - de baixo para cima - a blusa xadrez vermelha; e pensar que não era ainda metade do que poderia ser, e que quando se conheceram, os dois, não eram metade do que eram agora.

Estela entediou-se na maré cheia da previsibilidade dos pensamentos acerca de Olavo, cansou-se; fugiu aos poucos enquanto tentava explicar o que já sabia, mas não aceitava como completa verdade.

trocaram um beijo. 
calaram-se.

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